Documentário – Ambiente Perceptivo

É… Fiquei um bom tempo sem escrever por aqui. Semanalmente daria para tirar muitas analogias e textos e percepções sobre o meio ambiente, dentro de todo o caos e fora da mais remota ordem, em tempos como esse em que tentamos estabelecer algum grau de solidez ou a própria sensatez, sem saber de verdade o que há de bom ou de ruim, o jogo entre o certo e o errado, as esperanças e o medo, esse é um novo dia de um novo tempo que começou, sem que a festa seja nossa.

No universo micro seguindo a teoria do caos, vamos transformando as asas de uma borboleta em um tufão. E hoje apresento o primeiro trabalho audiovisual desenvolvido com meus alunos de uma rede pública, essa mesma rede onde os gastos públicos podem ser congelados por vinte anos, onde esses mesmos alunos podem sofrer uma grande reforma educacional que nada os privilegiam. Mas a gente resiste. A gente resiste nos dois dias por semana em nossos encontros, a gente resiste por cinquenta minutos e encontramos o que sim, podemos transformar,pois se não for para pensar em nosso meio, como vamos tomar proporção do nosso todo? Como discutir sustentabilidade sem prestar atenção pelas ruas em que caminhamos, pelos nossos acessos e ações? Como nos tornar bons profissionais em um ambiente altamente competitivo e individualista? O que se deve presar nas nossas relações antes de nos confundirmos pela dinâmica desse mundo interligado em seus amplos sentidos?

Afinal, “aquilo que é feito para você, sem você, nunca vai dar certo…”

 

O lançamento do nosso documentário sai no final de novembro!

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As tecnologias seus desafios e o meio ambiente

A Internet é um mecanismo que propicia a rápida propagação de acontecimentos e fatos ampliando o espaço de ação dos movimentos sociais que passam a difundir informações e a vincular denúncias com o intuito de mobilizar uma quantidade razoável de pessoas em torno de uma causa específica ou de um tema. O ambiente virtual, visto como um canal de comunicação acaba desempenhando o papel de unir as pessoas em torno de um ideal, mobilizando internautas e criando espaço para discussões e protestos dentro e fora da rede. Segundo pesquisa realizada no ano de 2015 pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação da Comunicação (Cetic.br) o acesso à internet chegou á 50% das casas no Brasil. Apesar do aumento gradual do acesso à internet é importante ressaltar que ainda subsistem muitos excluídos digitalmente, que na maioria dos casos são oriundos de classes baixas e possuem pouca escolaridade.

O movimento ambientalista utiliza noticiários de televisão, rádios e jornais para manifestarem-se sobre assuntos que relacionam a preservação da natureza. Tal movimento social é constituído por organizações não governamentais e voluntários interessados em promover e incentivar a proteção do meio ambiente. Desta forma a internet passou a contribuir para a propagação da causa ambiental, em que grupos locais em qualquer parte do mundo, passam a ter condições de agir de forma global, exatamente no mesmo nível em que surgem os principais problemas relativos ao meio ambiente. Um dos exemplos para o ativismo online foram as manifestações nas redes sociais com o objetivo de vetar o novo Código Florestal aprovado em 2012, e que no dia 18 de abril de 2016, foi discutido em audiência pública no Supremo Tribunal Federal com apoio do segmento científico e acadêmico, onde se questionam pontos da lei referente a proteção da reserva legal, área de preservação permanente e a regulação do cadastro ambiental rural. Através da internet também é possível a propagação de denúncias relacionadas a crimes ambientais assim como a aproximação da sociedade em questões que se relacionam a comunidades tradicionais com os impactos de grandes empreendimentos e proporções de acidentes ambientais.

O mecanismo do engajamento ambiental por meio virtual acaba promovendo, em um primeiro momento, um local de encontro entre as conexões dos internautas e a difusão de informações, as redes proporcionam mais voz às pessoas na construção de valores diferentes. Mesmo que tais manifestações não alcancem o completo sucesso esperado, esta postura acaba enfraquecendo os defensores das teorias de que o uso das novas tecnologias da informação não mudaria a participação político-democrática que as redes virtuais possuem, lembrando que grande parte do processo de mobilização, antes passava pelas mídias tradicionais pertencentes ao domínio de poucos. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) recentemente sinalizou o fim da era da internet ilimitada no Brasil onde deveria ser cobrado o consumo excedente do pacote de franquia pago pelo cliente, o que gerou grande mobilização social e assim a Anatel lançou nota dizendo que o processo segue sem prazo determinado, e as prestadoras de serviços de internet continuam proibidas de reduzir a velocidade, suspender o serviço ou cobrar pelo tráfego excedentes dos consumidores. Se é por meio da notícia que nos mobilizamos, se é por meio do domínio de poucos que enxergamos uma única verdade e se a internet nos proporciona a abertura de se discutir toda uma realidade, o que de fato ficaria caro ao se limitar o nosso acesso tecnológico? Conhecimento às vezes incomoda mesmo.

Licenciamento ambiental pode deixar de existir -Estadão

Acompanhe a notícia aqui: Licenciamento ambiental pode deixar de existir

“Em meio ao terremoto político que toma conta de Brasília, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, 27, sem alarde, uma Proposta de Emenda à Constituição que simplesmente rasga a legislação ambiental aplicada em processos de licenciamento de obras públicas.”

Mas não fiquem tristes! A Vale,por exemplo, de acordo com O Globo, obteve lucro líquido de R$6,3Bi no 1° trimestre e supera as expectativas, o Sr.Presidente da empresa está seguro, vem tomando o caminho certo. Sim, com custo de produção baixos e expansão de extração. Uma pena que o acordo resultante do maior crime ambiental do país não irá trazer de volta as vidas perdidas, muito menos a biodiversidade e quem dirá um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Mas os países se unem não é mesmo? Precisam diminuir as emissões dos poluentes por causa das mudanças climáticas e aquecimento global além de comemorar o dia mundial do meio ambiente logo mais.

sebastião salgado

Foto: Sebastião Salgado – Serra Pelada

Da política à economia e uma ecologia social

Para explicar o surgimento do ativismo ambiental no mundo, é preciso conhecer a dinâmica conceituada adquirida pela abrangência de outros movimentos sociais, que acompanham as mudanças econômicas e políticas de cada geração. O mundo acompanha as problemáticas da explosão populacional, o esgotamento dos recursos naturais, a produção de tecnologias altamente poluentes, as maneiras de se adquirir eficiência energética e o consumismo. O que divide geopoliticamente e socialmente um mundo globalizado. A contextualização do movimento aos arredores do mundo passa a depender da estrutura política e grau de abertura de cada localidade, assim como a capacidade de formulação, implementação e administração pública advindas das influências dos países desenvolvidos que começaram a articular encontros mundiais sobre o crescimento econômico, a exploração dos recursos naturais nos países subdesenvolvidos e a crescente demanda populacional.

Para obter recursos financeiros internacionais e desenvolver economicamente, o Brasil precisou ampliar a sua proteção ambiental, sancionando novas leis que começaram a reger sobre o licenciamento ambiental, a criação de unidades de conservação e criação de órgãos fiscalizadores.  A implantação de grandes centros químicos e petroquímicos nas zonas mais populosas do país, assim como o avanço da agroindústria e o aumento de inseticidas junto com a gigantesca concentração de terra e renda para poucos na zona rural, acarretou na expulsão de muitas comunidades e trabalhadores do campo para as cidades ocasionando o aumento das favelas e da miséria e a discrepante diferenciação nas condições de vida. A partir dos anos 1980, começou a surgir um outro tipo de ambientalismo, mais ligado às questões sociais. A grande destruição da floresta amazônica, deu origem a movimentos que lutam para manter acesso aos recursos naturais de seus territórios e que valorizam o extrativismo, assim com os sistemas de produção baseados em tecnologias alternativas.

Atualmente, vivemos uma triste realidade liderando o maior número de assassinatos de ambientalistas no mundo, as organizações internacionais tem exigido uma maior proteção por parte dos governos para quem combate a crise ambiental diariamente. Interessante ressaltar que mundialmente falando, o aumento dos conflitos socioambientais coincide com as altas cotações de cobre, ouro e o petróleo. No Brasil, grande parte dos conflitos acontece nas regiões decorrentes das elites rurais onde a lei da bala prevalece. A flexibilização do código florestal em 2012, permitiu a expansão da atividade produtiva em áreas antes protegidas, e está em revisão o código de Mineração, que pretende liberar áreas de proteção e terras indígenas e quilombolas para mineração, a PEC 215 propõe passar as atribuições para aprovar a demarcação de proteção desses locais ao Congresso Nacional que hoje é composto por uma bancada da sua maioria ruralista. A PLP 227 propõe regulamentar o artigo 231 (dos índios) da Constituição, permitindo que se entre em terras indígenas para determinadas atividades econômicas, como mineração e hidrelétricas. Além de recentemente estarem em debate mudanças significativas no modo de se adquirir as licenças ambientais para empreendimentos impactantes.  Todas essas propostas de projetos de leis e emendas constitucionais são feitas pelos deputados federais eleitos de cada região. Daqui a pouco iremos comemorar o dia do índio e logo o dia da terra, ao tempo que fazem mais de cinco meses do maior desastre ambiental do País. A verdadeira luta, não é a de ódio disseminado e nem de ringue montado. É a luta de todos os movimentos sociais, a união das diversidades culturais e a proteção ambiental para o bem comum.

Para aqueles que ninguém ouviu

Era bem cedo naquela manhã, minha avó preparava o café e enquanto a chaleira borbulhava, eu organizava minha mochila para mais um dia de aula. Lá no quintal, fica o pé de jabuticaba, minha avó, quando está de folga costuma buscar uma bacia cheia daquelas frutinhas pretas bem brilhantes para a gente se lambuzar enquanto brincamos na esquina de casa de pique-bandeira ou esconde-esconde. Minha mãe costuma trabalhar bem cedo, antes do sol nascer, eu nem a vejo sair, mas nos encontramos mais a noite e ela ainda tira tempo entre o jantar e a novela das nove para rever meu dever. Meus irmãos, cada um no seu canto, eles são mais velhos, possuem desejos diferentes de vida e a gente briga, claro, coisa de irmão. Uma vez, um deles me defendeu, fui buscar a pipa que caiu lá do outro lado da casa de um amigo meu, mas depois me xingou bem feio, dizendo que para ir a um lugar que não seja o meu, eu preciso pedir permissão. Meu avô se foi já tem um tempo, eu era bem mais novo, mas lembro dele sentado naquela cadeira da sala ouvindo a rádio AM, seu radinho de pilha fica bem na estante até hoje, e a sua cadeira no mesmo lugar no canto da sala, que ás vezes eu faço balançar como se ele estivesse ali ainda cuidado da gente e da casa que construiu há mais de vinte anos atrás. Ele adorava o cheiro daquele lugar, cheiro de broa de fubá, coisa que vó faz no fim de semana para a gente lanchar.

Nesse dia peguei minha mãe chorando, ela segurava uma carta nas mãos, não sei o que dizia ali, mas senti que aquilo seria algum tipo de fim. Alguém queria tirar a gente dali, não sei dizer quem é ou qual a pessoa, mesmo se soubesse gostaria de ir lá na casa dela para saber: e se fosse com ela? A gente teria que ir embora dali, um lugar que eu sempre chamei de lar, não consigo imaginar meus laços fora dali, construí uma história… E se alguém descobrir o pote de pratinhas que enterrei no quintal? Disseram-me que estávamos bem no meio da estrada, na estrada de alguém, no meio do caminho, que ali não era nosso, mas depois de tanto tempo, porque foram nos dizer isso agora? Eu não sei bem. Só ouvi minha mãe dizer que o tempo seria curto para se ajeitar por aí e que seria preciso arrancar portas e janelas e por no caminhão junto com o rádio do meu avô e a cadeira dele. Pena, será que conseguiríamos encaixotar o cheiro de broa de fubá?

Para onde ir e como seguir, perder um lar é perder uma identidade de sonhos e de história, é não ter um passado ou se apagar da memória as construções com o meio, quem cuida, quem estava presente, quem fez de lá um lugar para chamar de seu. As justificativas que chegaram até a gente foram inúmeras, os motivos óbvios, esse ano é ano de eleição, minha mãe deveria procurar alguém de terno e gravata, eles tem voz e a gente não, ninguém escuta quem mora na beira da estrada, ou no meio do caminho deles. São melhores que nós? A indignação sempre comove as pessoas em geral, vieram algumas pessoas aqui, filmaram, tiraram foto, algo clamou-se por ser feito, em  algum lugar ecoou um movimento: por favor, não nos tire daqui. Mas nada foi feito. A favor do desenvolvimento. Foram lá apagar sem choro nem vela, sem conversa, sem acordo, apenas com um papel, um papel que dizia qual seria o meu futuro. Derrubaram foi tudo. Afinal somos nós os entraves, somos à margem de uma sociedade, representamos um verde e amarelo nas urnas, mas não nos direitos.

Eu não sei bem o que eu quero ser quando eu crescer, não sei qual caminho meus irmãos vão escolher, minha mãe ainda acorda bem cedo para trabalhar, talvez eu precise ir com ela até as coisas se acalmarem, não sei se irei perder esse ano na escola. Mas alguma coisa eu quero ser, sei que não vão trazer de volta uma infância que eu tive, nem terei como mostrar aonde ganhei meus primeiros arranhões e esse foi um grande tombo que vai me ensinar a crescer, a tia da escola na lousa não vai escrever, mas quando eu crescer eu quero ser uma voz, uma voz para essa gente que ninguém vê.

Uma história de décadas destruída em um dia… 

O que vem depois do desastre?

Ninguém os ouviu

 

Meu pirão primeiro

Esse é o velho ditado.  Foi como o professor finalizou a aula de química ambiental, depois de nos passar informações sobre como a química influenciou e influencia todo um processo produtivo industrial no mundo. O combustível, a energia, a bomba atômica.

O dilema da contemporaneidade sempre consistiu em produzir algo de alguma maneira que traga benefício comum e gere lucro. Como nem sempre os meios justificam os fins, o homem vem alterando os processos químicos naturais do planeta e chegamos à consistência de abordagens mais elaboradas e discussões como o aquecimento global, o uso de agrotóxicos, as doenças agravadas pelos poluentes lançados no ar. Certo, tem tempos que os grandes lideres mundiais colocam suas cartas na mesa e nos trazem soluções cheia de palavras bonitas e bons jargões. Um deles é o desenvolvimento sustentável.

Sustentável é suportar. Suportar por um longo período de tempo. Sustentabilidade nos remete a atitudes e estratégias ecologicamente corretas que englobam o meio econômico, social e cultural. Para uma sociedade justa e uma diversificação de culturas. Desenvolver é crescer quantitativamente, em números, imagina um bolo sem fermento? Ele não desenvolve. E bolo sempre necessita de fermento para poder crescer, esse é o desenvolvimento, não importa os outros ingredientes ou sabores ele sempre precisará de fermento para crescer. Fermento esse eu diria, um combustível. Deu para perceber?

Enquanto a gente se sustenta o bolo cresce. É por meio dos nossos padrões de comportamento e consumo que nós vamos sustentando o fermento. A partilha nem sempre será por igual, uns vão “merecer” mais do que os outros. Quem come do bolo que a gente faz crescer nem sempre quer dividir a cobertura. E ás vezes nós ficamos com aquele restinho esfarelado, como se fosse um solo que nada cresce e nada brota. É por meio dessa justificativa que em um congresso ultraconservador são discutidos sobre as mudanças na lei para licenciamento ambiental de grandes empreendimentos, vamos perdendo a voz enquanto o circo se arma na TV e até o esfarelado querem tirar da gente para vender depois em farinha ensacolada.  O pirão deles primeiro.

Já dizia que conversa pouca é bobagem, traz aquele cafezinho feito no coador de pano lá da roça, fazenda do “Capim Gordura”, refinado trato dos seus legumes, põem mais água no feijão, sempre cabe mais um nessa mesa e mais lenha para o fogão. Para doença? Dá-se um jeito, chazinho de camomila para acalmar os nervos, acorda quando o galo canta, deixa as crianças tomarem um banho de cachoeira, pegou bicho de pé não tem problema.

Deveríamos aprender mais com a simplicidade das coisas, a perda da nossa sensibilidade para o mundo real nos envolve a um egocentrismo e a arrogância nos engole sem perdão, o verde vira mercado, o marketing generalizado de um futuro e a responsabilidade nas mãos de quem nem chegou a nascer por aqui. A ilusão de um domínio. Se for para sustentar, comece bem devagar mesmo que a farinha seja pouca, muda-se o ditado, soe o canto de Bezerra da Silva e finalize nas canções de Lenine: pra quê complicação, é simples assim.

O nosso subversivo selfie

As grandes transformações nos paralisam até que possamos nos acostumar com elas. O cotidiano é algo tão normal que sair do padrão nos caracteriza como loucos. Quem dirá aquele que berra, em voz alta nos alerta: estamos equivocados, estamos todos muito errados. Mas é tudo um grande reality show e entre o berro e o questionamento da mudança, somos ovacionados por tanta coragem de se falar aquilo que ninguém quer ouvir, a mais dura verdade.  Como não se fazer esquecido?

Os turistas argentinos e o golfinho, o trabalho escravo de muitas redes de roupas de marca e outros produtos, os abusos, os refugiados, os animais que morrem para saciar nossa fome, os subordinados, as comunidades indígenas e as arquitetônicas obras hidrelétricas, o agrotóxico, o agronegócio…O tapete vermelho do Oscar, os filmes com suas sacadas sociais que fisgam nosso estômago para que a gente não se esqueça que estamos fazendo isso tudo muito errado. Por sintonia, Eliane Brum, descreve em seu ultimo artigo ao jornal El País, a sutil forma de nos lembrar  que ao não saber fica mais fácil de se viver.  O sistema nos engole, nos aplaude enquanto paralisamos por acreditar que não temos outra escolha, a não ser fingir que nada dói.

Não sei quem já assistiu aos filmes premiados pelo Oscar 2016. O Regresso e Mad Max, dois filmes mais comentados pelas redes sociais, possuem algo em comum, a dominação dos homens por outros homens e a dominação dos homens por recursos de sobrevivência.  O Regresso, possui cenas marcantes, homens colonizadores em guerra, destroem povos, a história das Américas. Para mim, as duas cenas marcantes consistem na luta com um urso, em que senti a vulnerabilidade do homem  diante a força da natureza, a luta com um animal dito irracional. O filme marca também, pelo cenário de uma forte nevasca, para sobreviver o personagem se abriga a um corpo de um cavalo em busca de se aquecer, ao sair sinto como se renascesse, tomasse vida em forma de um animal forte e indomável. Leonardo Dicaprio, dessa vez, grande ganhador do Oscar e ativo as questões ambientais brindou com um belo discurso sobre a problemática ambiental, o aquecimento global, lembrando a grande mesquinhez que somos quando nos importamos apenas com nosso fugaz conforto rentável. Esse foi o grande prêmio da noite.

Quem somos nós afinal? Guerrilhamos, dominamos, ganhamos. O gosto do poder deve ser tão instigante que vicia os olhos e é por isso que criamos fronteiras. Já que o meu, nunca poderá ser seu.  Quebrar as barreiras de um sistema deve ser mesmo cheio de armadilhas no caminho, nunca sei se estamos mesmo progredindo ou andando em círculos. Spotlight, o grande filme ganhador do Oscar, baseado em uma história real, retrata a persistência de profissionais, o cotidiano, pessoas normais, vidas que seguem, e pessoas que não querem se acomodar com situações sistemáticas. Foi o berro que venceu, de forma triunfante. Que pequenos berros, vençam diariamente. Nada especial, já que padecemos incrédulos por coisas que não podemos mudar, muitas vezes achamos que faz parte. E o acreditar virou a compensação final em um ganho a mais, pensamos que economizamos o tempo já perdido de si mesmo.

Meu xodó, é lembrar que a animação brasileira, feito de traços e rabiscos, com uma trilha sonora envolvente pela alma e coração, ressurge nossa criança, a mesma que sonha, a que almeja e a que acredita, a gente colore nosso cotidiano com os olhos de uma criança. O menino e mundo, feito de nítidas diferenças do nosso tempo tem esperança e ela recria nossas mais novas mudanças. Um prêmio é só um prêmio, enquanto a luta será sempre diária. Seguimos.

 

Todo inocente é um fdp? – Eliane Brum