Da política à economia e uma ecologia social

Para explicar o surgimento do ativismo ambiental no mundo, é preciso conhecer a dinâmica conceituada adquirida pela abrangência de outros movimentos sociais, que acompanham as mudanças econômicas e políticas de cada geração. O mundo acompanha as problemáticas da explosão populacional, o esgotamento dos recursos naturais, a produção de tecnologias altamente poluentes, as maneiras de se adquirir eficiência energética e o consumismo. O que divide geopoliticamente e socialmente um mundo globalizado. A contextualização do movimento aos arredores do mundo passa a depender da estrutura política e grau de abertura de cada localidade, assim como a capacidade de formulação, implementação e administração pública advindas das influências dos países desenvolvidos que começaram a articular encontros mundiais sobre o crescimento econômico, a exploração dos recursos naturais nos países subdesenvolvidos e a crescente demanda populacional.

Para obter recursos financeiros internacionais e desenvolver economicamente, o Brasil precisou ampliar a sua proteção ambiental, sancionando novas leis que começaram a reger sobre o licenciamento ambiental, a criação de unidades de conservação e criação de órgãos fiscalizadores.  A implantação de grandes centros químicos e petroquímicos nas zonas mais populosas do país, assim como o avanço da agroindústria e o aumento de inseticidas junto com a gigantesca concentração de terra e renda para poucos na zona rural, acarretou na expulsão de muitas comunidades e trabalhadores do campo para as cidades ocasionando o aumento das favelas e da miséria e a discrepante diferenciação nas condições de vida. A partir dos anos 1980, começou a surgir um outro tipo de ambientalismo, mais ligado às questões sociais. A grande destruição da floresta amazônica, deu origem a movimentos que lutam para manter acesso aos recursos naturais de seus territórios e que valorizam o extrativismo, assim com os sistemas de produção baseados em tecnologias alternativas.

Atualmente, vivemos uma triste realidade liderando o maior número de assassinatos de ambientalistas no mundo, as organizações internacionais tem exigido uma maior proteção por parte dos governos para quem combate a crise ambiental diariamente. Interessante ressaltar que mundialmente falando, o aumento dos conflitos socioambientais coincide com as altas cotações de cobre, ouro e o petróleo. No Brasil, grande parte dos conflitos acontece nas regiões decorrentes das elites rurais onde a lei da bala prevalece. A flexibilização do código florestal em 2012, permitiu a expansão da atividade produtiva em áreas antes protegidas, e está em revisão o código de Mineração, que pretende liberar áreas de proteção e terras indígenas e quilombolas para mineração, a PEC 215 propõe passar as atribuições para aprovar a demarcação de proteção desses locais ao Congresso Nacional que hoje é composto por uma bancada da sua maioria ruralista. A PLP 227 propõe regulamentar o artigo 231 (dos índios) da Constituição, permitindo que se entre em terras indígenas para determinadas atividades econômicas, como mineração e hidrelétricas. Além de recentemente estarem em debate mudanças significativas no modo de se adquirir as licenças ambientais para empreendimentos impactantes.  Todas essas propostas de projetos de leis e emendas constitucionais são feitas pelos deputados federais eleitos de cada região. Daqui a pouco iremos comemorar o dia do índio e logo o dia da terra, ao tempo que fazem mais de cinco meses do maior desastre ambiental do País. A verdadeira luta, não é a de ódio disseminado e nem de ringue montado. É a luta de todos os movimentos sociais, a união das diversidades culturais e a proteção ambiental para o bem comum.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s