Meu pirão primeiro

Esse é o velho ditado.  Foi como o professor finalizou a aula de química ambiental, depois de nos passar informações sobre como a química influenciou e influencia todo um processo produtivo industrial no mundo. O combustível, a energia, a bomba atômica.

O dilema da contemporaneidade sempre consistiu em produzir algo de alguma maneira que traga benefício comum e gere lucro. Como nem sempre os meios justificam os fins, o homem vem alterando os processos químicos naturais do planeta e chegamos à consistência de abordagens mais elaboradas e discussões como o aquecimento global, o uso de agrotóxicos, as doenças agravadas pelos poluentes lançados no ar. Certo, tem tempos que os grandes lideres mundiais colocam suas cartas na mesa e nos trazem soluções cheia de palavras bonitas e bons jargões. Um deles é o desenvolvimento sustentável.

Sustentável é suportar. Suportar por um longo período de tempo. Sustentabilidade nos remete a atitudes e estratégias ecologicamente corretas que englobam o meio econômico, social e cultural. Para uma sociedade justa e uma diversificação de culturas. Desenvolver é crescer quantitativamente, em números, imagina um bolo sem fermento? Ele não desenvolve. E bolo sempre necessita de fermento para poder crescer, esse é o desenvolvimento, não importa os outros ingredientes ou sabores ele sempre precisará de fermento para crescer. Fermento esse eu diria, um combustível. Deu para perceber?

Enquanto a gente se sustenta o bolo cresce. É por meio dos nossos padrões de comportamento e consumo que nós vamos sustentando o fermento. A partilha nem sempre será por igual, uns vão “merecer” mais do que os outros. Quem come do bolo que a gente faz crescer nem sempre quer dividir a cobertura. E ás vezes nós ficamos com aquele restinho esfarelado, como se fosse um solo que nada cresce e nada brota. É por meio dessa justificativa que em um congresso ultraconservador são discutidos sobre as mudanças na lei para licenciamento ambiental de grandes empreendimentos, vamos perdendo a voz enquanto o circo se arma na TV e até o esfarelado querem tirar da gente para vender depois em farinha ensacolada.  O pirão deles primeiro.

Já dizia que conversa pouca é bobagem, traz aquele cafezinho feito no coador de pano lá da roça, fazenda do “Capim Gordura”, refinado trato dos seus legumes, põem mais água no feijão, sempre cabe mais um nessa mesa e mais lenha para o fogão. Para doença? Dá-se um jeito, chazinho de camomila para acalmar os nervos, acorda quando o galo canta, deixa as crianças tomarem um banho de cachoeira, pegou bicho de pé não tem problema.

Deveríamos aprender mais com a simplicidade das coisas, a perda da nossa sensibilidade para o mundo real nos envolve a um egocentrismo e a arrogância nos engole sem perdão, o verde vira mercado, o marketing generalizado de um futuro e a responsabilidade nas mãos de quem nem chegou a nascer por aqui. A ilusão de um domínio. Se for para sustentar, comece bem devagar mesmo que a farinha seja pouca, muda-se o ditado, soe o canto de Bezerra da Silva e finalize nas canções de Lenine: pra quê complicação, é simples assim.

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