O amanhã chegou trazendo o que já foi natural

(07-01-16)

Sempre imaginei uma vida “futurística” como naqueles desenhos animados, pessoas usando roupas prateadas, carros voadores e teletransportes. O natural perpassa aos nossos olhos nesse tempo, a natureza é algo tão raro que pode ser comprada, engaiolada e presa a sete chaves. Vale ouro. Vale muito dinheiro.

Quem tem acesso, comanda. Brinca de Deus e faz do tempo e espaço sua casa de boneca, os personagens que não servem são descartados, não precisa existir quem não concorda com minhas ideias, afinal quem comanda aqui é quem vale muito, vale muito dinheiro.

Para um trabalho de faculdade, precisei fazer uma resenha sobre um filme de 1973. Por isso, aproveito as férias e indico o filme que imaginava como seria o mundo em 2020 ( Soylent Green, No Mundo de 2020, À Beira do Fim – Richard Fleischer). A história gira em torno de um homem rico, detentor de uma grande indústria que perde o sentido da vida e forja o seu assassinato, e um detetive que precisa desvendar o caso. A maioria das pessoas no filme já convive com a poluição como se fosse algo normal, notando a estabilidade do clima quente e a falta de recursos naturais como a água. Na fotografia do filme é notória a falta de vegetação, sendo algo extremamente raro que é resguardado pelo governo. Uns dos grandes problemas da humanidade são evidenciados, como os conflitos sociais, a superpopulação e o acesso a alimentação de qualidade. Prometo não fazer grandes revelações e indico a quem queira assistir tal clássico.

Soylent Green, No Mundo de 2020, À Beira do Fim, foi produzido nos anos 70, época em que os grandes movimentos ambientalistas começaram a tomar força para a aplicação de uma mudança de hábito e atitude, já que nos países de primeiro mundo grande parte dos recursos naturais já se encontravam exauridos ou poluídos depois da revolução industrial.

Dois mil e quinze terminou, terminou meio arrastado. Não saiu nos jornais a criança indígena de dois anos assassinada no colo da sua mãe no dia 30 de dezembro do ano passado(Não faz tanto tempo assim certo?). Foi no litoral de Santa Catarina, na rodoviária de Imbituba. Não tivemos comoção generalizada. Mas aconteceu. Assim como acontece todos os dias, e somos coniventes com a diferença de quem comanda e de quem é comandado. Vamos perdendo espaço, pra quem? Para um futuro promissor de roupas prateadas e cápsulas. Não precisa resguardar essa terra que se compra, vende para fora daqui nossa casa de bonecas, a gente fica com o que sobrou, porque daqui pra lá só nos resta imaginar os que ficam de um lado, aqueles que podem ser vistos. E os que ficam do outro, os que recebem os rios poluídos e contaminados com agrotóxico, os que ficam com os alimentos envenenados, os que são entraves para o desenvolvimento. A gente cresce por números e dados, viramos estatísticas montados em um gráfico, vale muito, muito dinheiro. Eu ainda insisto nessa coisa de esperança, por saber que ainda existem vidas que não podem ser compradas e muito menos vendidas.

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