A esperança nunca aceitou ser adestrada

Ensaio de um dia-a-dia comum para um mundo em transição

Encontrei um quadrinho do artista brasileiro Vi-VENES esses dias, ele trouxe exatamente essa frase que me fez refletir por bastante tempo sobre seu conceito. Pensei também se vários dos meus amigos secretos existentes, com posições culturais diferente, entenderiam a mesma coisa que eu entendi, ou se entender o conceito das coisas, seria necessariamente tão importante para eles quanto é para mim.

Já preferi fazer algo diferente de tudo que já fiz. O amanhecer, quando renasce traz primeiro um silêncio absoluto. Cala-se tudo, enquanto o dia vai chegando devagar, a gente escuta os pássaros, pressente a alvorada. Um vento bem gélido pode tocar nosso rosto e refresca, um refrescar diferente do que se entende por aliviar o calor, é a sensação de estarmos vivos.  Acordei bem mais cedo hoje, não acendi chaleira de café ainda, nem senti fome. É um tempo diferente, o mundo adormece enquanto a esperança renasce aos poucos colorindo o céu de outro tom.

Nem preciso anunciar que dezembro chegou, vamos logo planejando nossas férias de verão, as viagens em família e se vai ter uva passa ou não no salpicão. E quantas notícias dezembro já nos trouxe, já veio carregado de peso na consciência por um mundo em transição. Como será 2016, meu Deus! Me disseram tanto que estamos em crise que eu entrei em crise desde então.

Ainda não sei a cor do vestido, aquele de festa que dividiu opiniões no início desse ano, era azul e preto ou branco e dourado.  Com que cor você passará o seu ano?  Vamos acreditando na sorte, para que no final, pulemos sete ondas, comeremos sete uvas verdes, daremos três pulinhos, São Longuinho, aonde foi que deixaram escondido o bom senso dessa gente que ressuscitou a palavra impeachment, essa palavra tão dita, sem ao menos sabermos o peso do seu significado que infringe nossa luta democrática por interesses oportunos e difusos. Parou-se a economia enquanto a mídia inflama-se. Essa não é a solução dos nossos problemas.

Enquanto estudantes manifestam por educação, não fecha minha escola não Sr. Alckmin, me lembrei dos professores do Paraná, que no final de abril desse ano, pediam melhores condições de trabalho, mas o governador de lá, que engraçado, também não quis negociar, partiu pra cima deles. Quanta truculência para um poder.  Mas sabe, a reforma educacional anda caminhando para outro lado, o lado oposto que é a de não ficar calado, definitivamente as aulas estão recheadas de lições, os jovens não querem que os digam o que fazer, eles querem ser ouvidos enquanto aprendem a ouvir também, em época de palmatória existem aqueles que ainda não se resignam, e resistir virou uma profunda lição conjunta de uma sociedade jovem e de escola pública que ainda acredita na força das suas ações políticas para um bem comum.

Enquanto a COP 21, A 21° Conferência do Clima,  acontece em Paris até o dia 11 de dezembro, países ricos e pobres decidem sobre as compensações de perdas e danos causados pelas mudanças climáticas.  Os países de economias mais modestas, acreditam que os países ricos devem ser responsabilizados pelos eventuais desastres naturais ocorridos em seus países,  já que estes são os países que teriam sido os maiores causadores de emissões de gases de efeito estufa e os países pobres são os que mais sofrem com as consequências das mudanças climáticas.

As maiores economias do mundo, só aceitam debater perdas e danos como parte de uma discussão mais generalizada, não querendo se responsabilizar pelas perdas que os “destrates naturais” causam nos países menos favorecidos. Mas os países ricos, querem ajudar os países pobres, como?  Fazendo com que eles se adaptem ao problema.

E a negociação se resume a dinheiro.

Temos que repensar nossas fontes energéticas. Em um mundo que se utilizada da exploração do gás não convencional, também conhecido como gás de xisto, uma metodologia de fraturamento hidráulico, chamado mundialmente por fracking. O que você ainda vai ouvir falar muito disso. Trata-se de uma tecnologia altamente poluente e danosa, libera sistematicamente o metano, com potencial 86 vezes maior para o efeito estufa que o próprio gás carbono, segundo estudos recentes. Contamina águas superficiais e subterrâneas.

Enquanto isso, sabe aquela lama toda? A lama de Mariana (MG), ou seria a lama brasileira, não chegou definitivamente nas discussões dos países que fazem parte da cúpula da ONU,  a lama apenas varreu uma cidade inteira, deslocou mais de 600 pessoas, destruiu o Rio Doce, matou gente,  deixou desaparecida outras tantas, e fez desfazer-se uma história. Na verdade, reformularia a frase para: marcou uma história enquanto apagou as de outras centenas, e está entre os cinco maiores desastres do mundo não sendo possível ainda, medir as consequências da tragédia exatamente. Mas a lama sem responsáveis, chegou a Londres também, lá na Inglaterra, bem contraditório, em frente a um hotel de luxo, onde a Vale, a multinacional brasileira, organizou uma conferência para apresentar o “sucessos e desenvolvimentos do negócio em 2015” e planos para 2016.

Nossa mais que Zika, coisa estranha essa, voltamos a ter medo, quem diria, de um mosquito. Pequenino e parece tão inofensivo, agora carrega três diferentes doenças. Não deixe água parada, em hipótese alguma, se empanturre de repelente, compre repelentes, os melhores repelentes, acostume-se com eles. Mas sabe, está faltando discutir o básico, aquele que acompanha a palavra saneamento, em pleno século XXI, não sei se isso irá encaixar nas campanhas eleitorais do ano que vem.

Quando o dia terminou, turbulento como ele só, passou na TV minha vontade de tentar entender o que eu podia fazer, e o Jorge da padaria me falou que não está nada fácil. Desliguei tudo, e voltei para o meu silêncio absoluto, agora no escuro, conclui que mesmo que demore a percepção, nessa era da informação, com muita coisa em pouco tempo o que nos assusta e dá medo, estamos em transição, o meio ambiente está em mudança, e nós que somos parte desse meio, transformamos um ambiente por inteiro. Quando nos tornamos leais as nossas ideias, viramos esperança que se constrói em meros detalhes em mundo tão vasto, atente-se que juntos somos muitos detalhes e é bem isso que nos torna semelhantes. O dia vai amanhecer e o céu vai ser colorido com um novo tom.

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