Não é você, somos nós.

O texto de hoje também serve para mim.

Quando resolvi falar sobre percepção, quis colocar com meus olhos, o que eu ouvia e o que eu lia o que isso tudo influencia em minha vida.

Nós crescemos na ideal do individualismo, a noção de que somos separados e devemos nos orgulhar de nossas conquistas sozinhos. Criamos a educação nessa lógica, cidades baseadas nessa ideia, somos significantes á custa de alguém.

Um dia desses, fui convidada a participar de uma apresentação sobre Educação Ambiental. Antes de ir, imaginei mil situações, o que eu ganharia com isso, se valeria a pena ir, se perderia aula por isso ou se acordaria mais cedo para chegar ao local do evento. Mesmo preguiçosa e sonolenta fui, fui de encontro a algo que eu nem imaginaria o que me esperava. E me surpreendi.

Surpreendi com o fato de que lá eu aprendi muito mais do que poderia imaginar e que vida acadêmica a gente constrói sim, mas o que somos e como somos para os outros ao nosso redor, nossa família, para nossa cidade e para o mundo pode nos edificar muito mais.

Trabalhar com o meio ambiente sempre me surpreende, comunicar as pessoas sobre o tema ambiental tem sido encantador tanto pela sua forma de expressão quanto pelas respostas que recebo. O programa na rádio todas as quintas-feiras foi o precursor desse caminho e me fez deparar com um público simples, humilde e que pára o seu tempo para ouvir. Me escutam, debatem, anotam, aprendem e dão a opinião deles. Fiquei feliz quando uma ouvinte me procurou satisfeita e pela primeira vez conheceu minha instituição de ensino dizendo ser muito interessante o que viu por ali, aquilo era um mundo novo para ela no qual eu fiz parte e que ela começava a conhecer agora, e me pediu com toda delicadeza para ajudá-la a plantar uma árvore no seu quintal. Sem dúvida, existem coisas muito maiores que aprendemos do lado de fora dos prédios de uma instituição e uma delas é saber ouvir pessoas de histórias, lugares e realidades diferentes da nossa.

Tive uma satisfação parecida quando trabalhei com uma comunidade afastada do centro da cidade e lá conheci crianças em que nunca poderia imaginar conhecer, vivam no seus mundos em que consideravam perfeito, na hierarquia construída pelos donos da cidade, os abandonados aos olhos de muitos que passam despercebidos e são taxados de problemáticos, são crianças, com suas fantasias e sonhos de um mundo melhor também e ás vezes o que basta é saber ouvir e não exigir, o que é certo o que é errado fica subjetivo demais ao que pode ser “Ei, esse é meu mundo, traga um pouco de sorrisos pra mim para que no fundo eu ainda acredite nos meus sonhos.” Essa troca foi recíproca.

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ABC Ecológico – Empresa Júnior Vale Verde Soluções Ambientais e ONG Filhos das Estrelas – Três Rios/RJ

Em um evento passado, recebemos um palestrante que quis dizer exatamente isso, apesar de ter sido um pouco rude com suas palavras, o que causou alvoroço a platéia. Eu concordei com ele e em uma conversa particular chegamos a um acordo de ideias a qual as pessoas não estão acostumadas o ouvir aquilo que não estão preparadas, nem receberem de uma outra lógica aquilo que não querem enxergar. Percepção pode ser isso, nos acostumar a olhar com outros olhos que não seja o nosso próprio umbigo.

Em mundo tão complexo como esse, dividido em poder principalmente o de consumo agimos de forma mecânica a muitas coisas, somos passivos e apáticos em relação a um sistema político mas ativos no que diz respeito ao consumo e ainda falta um pensamento crítico seguido de uma ação. Todos os dias confesso a mim mesma que eu ainda tenho muito que aprender, seja pelas paredes da minha instituição ou seja fora dela, precisamos procurar aquilo que faz nosso coração vibrar já que 95% do nosso corpo carrega informações para o nosso cérebro o coração torna-se o percursos dos nossos maiores atos.

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O documentário I AM – Você pode mudar o mundo, trouxe até a mim essas indagações de que se o mundo está errado o que podemos fazer sobre isso? Tire uma hora do seu dia, veja com seus olhos e perceba para os olhos de muitos ao seu redor.

Eu sempre digo que existem coisas muito maiores que nossos mimados caprichos e atravessamos um momento político hostil e difícil, de pessoas separadas por suas ideologias e crenças, do que acham certo e o que acham errado. Cada vez mais deparamos com debates insossos e arrogantes na política, pela preferência sexual, pelos direitos das mulheres, pelos jovens. E afinal se existe uma verdade qual seria essa? Nosso coração anda pulsando nossas vibrações e a natureza anda se adaptando a nossas escolhas. E um dos grandes presentes para o mundo, com certeza continua sendo a gratidão.

Talvez dentro do nosso ego exorbital, achamos que passa a ser fora da nossa realidade traçar metas para salvar pessoas muito longe de nós e incrivelmente o planeta (cadê o capitão planeta?). Mas a solução pode ser bem mais simples do que pensamos e fica bem ao nosso lado ou quem sabe dentro de nós.

Afinal o que você quer pra você, desejaria também para o mundo?

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