Há três dias foi o dia do índio, hoje é o dia da terra, qual é o amanhã para as futuras gerações?

Art.225 – “ Todos tem direito a um ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Um direito de todos, mas nem para todos dentro das salas em Brasília.

Mais de 2 mil lideranças de diversos povos protestam pelo seus direitos e contra a aprovação da PEC 215, que se aprovada passará para o pior legislativo desde 1964 o poder de demarcar ou não as terras indígenas. E ainda, tramita pelo Congresso, um projeto de lei (PL) e um projeto de lei complementar (PLP), com teor semelhante, que visam reduzir os direitos indígenas em prol de interesses da mineração e do agronegócio. O Projeto de Lei 1610/96, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), pretende “regulamentar” a mineração em terras indígenas, enquanto o PLP 227 cria exceções ao direito de uso exclusivo dos indígenas das terras tradicionais, em caso de relevante interesse público da União.

Os índios e o golpe na constituição

Porque você deve ler essa coluna apesar da palavra Índio

Domingo foi dia do Índio, e dia do índio se comemora com cocares, história, e o encontro de 1500. O preconceito é eminente a questão indígena e fica dentro do que tentamos definir o que é legítimo ou não, sem querer conhecer a trajetória de um povo e julgando o que define o que faz de alguém ser o que ele é.

Tenho feito muitas perguntas. E os grandes financiadores de campanhas políticas como empresas do agronegócio, da mineração e da energia, as empreiteiras e madeireiras e os bancos, parlamentares que ganham sozinhos mais de um milhão de reais de empresas ligadas a esses segmentos acreditam que a finalidade da nossa natureza é transformar terras públicas e protegidas em terras privadas para a exploração e o lucro de poucos.

Quem financia os deputados contra as áreas protegidas no Brasil?

Alarmante, é saber que o nosso país é responsável pela metade das mortes de ambientalistas. São conflitos relacionados pela propriedade, controle e uso de terras, além do corte ilegal de árvores, a maioria das mortes dos ativistas são arquivadas sem culpados como é o caso do Biólogo espanhol Gonzalo Alonso Hernández, defensor do Parque Cunhambebe no Rio de Janeiro. “Não interessa elucidar o assassinato de Gonzalo”

Estamos buscando no meio de tanta teoria o que é feito na prática. Queremos saber a lógica dentro de um pensamento calculista.

No dia Mundial da Terra, a gente fala sobre sustentabilidade, energia limpa, sobre economia de água, mas existe algo que ainda não conseguimos mudar. É a nossa habilidade de se ver parte de tudo isso, não somos seres melhores que a natureza, não existe como atribuir valor a vida mas estamos acabando com ela, ou deixando que acabem com ela. Lutamos por igualdade, contra a corrupção e eu acho isso justíssimo e ainda falta aprendermos a lutar pelo que nos mantém vivos. O dinheiro anda movendo os grandes interesses, anda comprando as águas, as terras, e separando os que tem e os que não tem direito a um ambiente ecologicamente equilibrado. A realidade é que soluções básicas e ao longo prazo não compra votos, como a melhoria do saneamento básico do país ( De 200 países Brasil está 112° no ranking de saneamento básico). Convivemos ainda com o trabalho escravo (O trabalho escravo no Brasil) , com famílias vivendo em lixões, com rios cada vez mais poluídos, e mesmo assim, estamos insistindo em entregar nas mãos de poucos nossos interesses mais valiosos, para gerar mais dinheiro, para aumentar mais a desigualdade, para ter mais secas, desertificações e chuvas descontroladas.

Mas quando falamos dessas mudanças em que a natureza grita por salvação a gente não imagina uma realidade que pode ser tão distante da nossa, não, a gente não tem ideia do que realmente acontece e mal sabemos que convivemos e somos convenientes com essa realidade que já ultrapassou a nossa porta. Se o artigo 225° pretende garantir um ambiente ecologicamente equilibrado para nós e para as futuras gerações, fico tentando imaginar o que elas vão comemorar em seus dias da terra, da água, do solo, do índio, do meio ambiente… Talvez apenas histórias, do que era antes e de como poderia ser agora.

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Foto de acervo pessoal. (Família que se refresca na represa desativada em Minas Gerais no verão.)

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