O que você come?

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Foto: Hypeness

O Brasil desde 2008 é campeão mundial de consumo de agrotóxicos. A eterna dicotomia entre quantidade e qualidade. E o que isso tem a ver com meio ambiente? Tudo! Precisamos pensar no alimento que está em nossas mesas, como foi cultivado, por quem foi cultivado e como chegou até nossas casas. A praticidade pode ter um preço bem caro.

Somos um País que possui mais de 400 tipos de agrotóxicos registrados, sendo estes 14 venenos proibidos no resto do mundo que por aqui têm a permissão para o comércio. Por exemplo, esses agrotóxicos são considerados em países de primeiro mundo como lixos tóxicos e aqui no Brasil a gente manuseia, respira, bebe e come.

Estamos falando de uma realidade onde a cada 90 minutos, um brasileiro é envenenado em decorrência do uso de agrotóxicos no país. Uma epidemia de intoxicações agudas, com direito a dores de cabeça, vômitos, infecção urinária, alergias além de á longo prazo causar câncer. E a soja é uma das culturas que lidera o uso desses defensivos agrícolas.

Fala-se em combate as pragas, mas devemos saber que a praga é o próprio veneno. O agronegócio cria commodities, a linha entre produzir em grande escala, exportar e lucrar, desertificar solos e produzir efeitos desastrosos no meio ambiente e na saúde humana enquanto o pequeno agricultor põe comida na nossa mesa. O agronegócio nos cega para o planeta e para o processo da natureza.

A agroecologia por outro lado, é um movimento social que restabelece o relacionamento com a terra e traz a ecologia de volta na consciência do agricultor. Vem atraindo muitos outros tipos de pessoas que se transformam em agentes de mudança para a maneira como lidamos com a agricultura e como nós produzimos nossa comida. Para a agroecologia é preciso de pequenas áreas que podem produzir cada vez mais com qualidade e cuidando do solo, pois respeita as leis da natureza.

Um alimento orgânico é isento de adubos químicos e venenos para pragas, eles também não contêm remédios veterinários, hormônios e organismos geneticamente modificados. Quando se trata de alimentos orgânicos processados, não existe corantes, aromatizantes e conservantes sintéticos. É um modo de produzir que respeita os ciclos da natureza e estabelece formatos de trabalho colaborativos, valorizando a qualidade de vida de quem produz, de quem vende e de todos que consumimos.

Existe um paradoxo de que os produtos orgânicos não são consumidos por serem mais caros, mas na realidade o que o torna complicado seu consumo é sua oferta. De acordo com estudos se os produtos fossem encontrados com maior facilidade seria preferência de consumo para muitos. A diferença está em comercializar diretamente com o produtor, uma relação produtor-consumidor que pode ser encontrado nas feiras agroecológicas de muitas regiões e que vem modificando a vida de muita gente.

Por aqui, podemos tirar o exemplo da Associação de Produtores Agroecológicos Familiares de Paraíba do Sul-RJ que realizam todas as terças-feiras a Feira Orgânica na Praça Garcia da cidade e estão todas as quartas-feiras na UFRRJ trazendo seus produtos.

A Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) dispensa o uso de ações danosas ao meio ambiente, como o emprego de agrotóxicos, queimadas e desmatamentos. É integrada porque alia a criação de animais com a produção vegetal e ainda utiliza insumos da propriedade em todo o processo produtivo. É sustentável porque preserva a qualidade do solo e das fontes de água, incentiva a associação de produtores e aponta novos canais de comercialização dos produtos, permitindo boas colheitas.

O modelo de tecnologia social Pais possibilita o cultivo de alimentos mais saudáveis tanto para o consumo próprio quanto para a comercialização. A unidade conta com um galinheiro na área central, três canteiros de hortaliças localizados em volta do galinheiro, além de área para pastagem. Dessa forma, a família recebe um kit contendo todo o material, insumo e os animais necessários para a construção da unidade e também para iniciar a produção.

Existe a necessidade de melhorar o acesso a informação a muitas famílias sobre a produção orgânica e seus benefícios, pois já se trata de escolher em que mundo a gente quer viver, se em um mundo de beleza e liberdade, ou em um mundo de exploração, doenças e terra arrasada.

Leiam mais aqui:

Porque a gente deveria consumir menos produtos com agrotóxicos e mais alimentos orgânicos

Conheça o documentário O veneno está na Mesa I e o mais recente O veneno está na Mesa II

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