Certos, porém nas linhas tortas.

Passageiro de algum trem, nossas várias moradas de dentro pra fora faz com que nos entregamos entre a loucura e a lucidez, cabendo em qualquer espaço os miúdos das vinte e quatro horas corridas do dia a dia, o smartphone tem sido mais importante que prestar atenção no meros detalhes da fala de alguém que quer te olhar no olho.

Como vemos, o vestido pode ser da cor que a gente quiser depende do nosso ponto de vista, e como são distintos, repercutindo tanto quanto as diferenças culturais, religiosas, étnicas e políticas. Somos divididos ou somos diversificados?

Fiquei por fora um tempo, tempo bastante para conter minha respiração fora da caixinha, longe do senso comum. Carnaval, folia, verão, calor e graças! A água não acabou. Mas a sujeira toda, essa continuou se espalhando pelo nossos olhos, assim como as ressacas do dia seguinte colocando ainda mais em margem nossa pequenez diante do respeito e bom senso. Mas enfim, as férias continuaram e a chuva veio, parece que o rio encheu já que ninguém fala mais disso… Sanaram nossas más condições de uso para as gerações futuras? Acredito que não andam discutindo isso na câmara tão divida quanto à cor do famoso vestido. E a mídia clama por fogo. A cretinização em marcha.

Eu no meu pontinho minúsculo do mapa, me deparei com uma singela barraca e uma bicicleta quebrada, alguém morava ali, e tinha a vista privilegiada de frente ao mar. Era uma barraca velha e suja, um espaço talvez avaliado que pode valer milhões, mas era uma bicicleta quebrada e era a casa de alguém.

Na minhas condições poderia dizer que o senhor é infeliz, morando logo ali naquela barraca quebrada, mas que contraditório ele podia ser tão feliz, bem ali, em frente ao mar. Precisaria de uma barraca melhor, de um carro talvez. Usamos tanto o se fosse eu, que ás vezes confundimos nossas verdades achando essa a única. Qual o tamanho de uma vida humana?

Em volta da igreja matriz da minha cidade existiam belas árvores, elas foram cortadas alegando ali ser ponto de drogas e prostituição. A culpa foi das árvores e elas foram cortadas pra quem sabe as pessoas ali também fossem “embora”. Engraçado, passei por ali outro dia, não existem mais árvores, estava bem quente e as pessoas continuavam ali, agora mas nítida sua demonstração de desigualdade entre a cidade, a igreja e nossa política tão velha quanto a corrupção que nela se instala. Mas a culpa é de alguém e deveremos julgar esse alguém pra não dizer: o que eu posso mudar?

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Foto: Viviane Cardoso

Perceba também: Conversando com os invisíveis. – Hypeness 

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