Mudamos ou nos acostumamos?

Antes mesmo de começar o verão, já tinha me esquecido de como é sentir um ar frio ou ver pela janela chuvas torrenciais pedido que se abra um sol no fim de semana. Estranho, acho que todo mundo andou percebendo muitas mudanças de uns tempos pra cá. Foi muita fumaça, foi falta de ar, foi tempo seco, foi muita falta de disposição por causa de tanto calor, e foi pouca chuva para muitas destruições. As coisas estão gritando para nossas vidas, pedido por mudanças de hábitos, mesmo que seja para acostumar com o caos que já nos ronda.

Verão. Em uma de minhas viagens de fim de ano, desejei muito conhecer alguma cachoeira pelo interior de Minas Gerais, empolgada com o passeio me frustrei quando o agente de viagem disse que infelizmente não havia como conhecer a cachoeira do principal passeio por estar extremamente seca. Secou-se, apenas ficou a esperança pelas próximas chuvas de verão, e já era para ter vindo. Pelas minhas andanças tive o prazer de conhecer um senhor muito simpático, taxista da cidade, e não foi um taxista comum, foi um senhor com seus oitenta anos que desempenhava o papel de ser o primeiro taxista da cidade! Então, por curiosidade perguntei a ele se considerava melhor o ínicio, o que era antigo ou a cidade como é hoje, lotada de turistas e pessoas de todos os lugares. É lógico que ele me disse sobre as condições ser muito melhores agora, e financeiramente para ele, mil maravilhas, porém a tranquilidade, a marginalização e a falta de estrutura se desenvolvia junto com um montão de gente que se amontoava em lugares comuns para aproveitar tanto calor, se talvez falte água para aquelas famílias como de seu José que vive longe do centro, seria para abastecer aqueles que estavam ali para curtir um grande hotel cinco estrelas.

No domingo, fim de tarde com a família conversando sobre profissões, futuros, indagações do ser, minha sobrinha de dois anos que ama uma piscina, dança, brinca, calorenta pede mais um banho no dia, meu irmão pergunta a ela se ela quer um irmãozinho, mas ela nem se preocupa com um futuro, ainda é nova, mas meu irmão me assustou dizendo em pensar que se as coisas continuarem como estão não pretende ter mais filhos, pois não se sabe em que mundo eles viverão. Foi o pensamento mais sustentável que eu vi na prática, pena que tarde, pois se assim for não há como voltar e começar de novo, vamos ter que nos acostumar com uma cachoeira vazia, com super lotações e aumento de desigualdades. Percebo que ao meu redor as pessoas começam a se preocupar em economizar os recursos naturais, de alguma forma foram afetados, prejudicados socialmente, pela saúde ou pela falta de água. Teremos mesmo que aprender na marra? O tempo corre… E já se foi mais um dia, mais um verão e sabe lá aonde colocaram o planeta sustentável que pensa nas gerações futuras. Eu ainda acredito na simplicidade das coisas desde a minha sobrinha que brinca e deseja um irmão até ao taxista que já viveu muitas vidas, ele mesmo teria um montão de histórias pra contar, dizer ou não se o que vivemos é uma lenda, mas talvez uma coisa que ainda por milênios nunca mudou foi nossa capacidade de não começar a preservar para prevenir, sempre nos remediamos afim de nos acostumar com o que foi imposto para o futuro.

serra de sao jose - foto viviane cardoso

 

Texto e Foto: Viviane Cardoso – Serra de São José – Tiradentes/MG

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