Alegoria do medo ao caos

O ato que paralisa um país inteiro, é o ato do outro mundo que ninguém vê e nem percebe enquanto abastece o seu singelo conforto.
Carregam cargas de norte a sul e de leste ao oeste, não tem trilhos. Tem pedágios, tem acidentes, tem perigo.
Um marco. Paralisou em uma grande manobra que se deu, e todos em qualquer canto das redes a tv esbravejando coisas quem nem se sabe e nem ao mesmo entende, mas concorda porque ninguém aguenta mais, ninguém aguenta mais qualquer coisa.
Um cenário perfeito que se acelera vendo a curva a frente, e não freia. É instabilidade de todos os sentidos que gera o medo, a angústia e chama-se por Chapolin Colorado, quem é que vai nos defender?
Uns dizem que são esses mesmos que pararam tudo, mas que falam-se deles apenas quando convém, outros acreditam em forças desproporcionais. A educação tá longe de entrar na rodada, a saúde nem se fala, mas tem camisa do Brasil pra se dar e vender e panela pra bater na própria sacada, sentimento esse que eu nem sei do quê, prazer em incomodar talvez.
As empresas se lambuzam, que bom! É agora que a gente entra, é agora que a gente pede nosso filé mion e olha pro lado e aponta pra nós que estamos aqui: eles vão pagar a conta, vai ter diesel no conta-gotas.
Cede ou não cede? Falta a gasolina também, alguns dizem. Falta tudo meu amigo. Falta governabilidade, falta democracia, o que vem cedendo é nosso caminho a frente, tá desmoronando com carga e tudo e quem chegar, chegou. Só vai restar a gente aguentar o tranco.

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Sustentando o projeto desenvolvimentista

O Brasil voltou, 20 anos em 2. Esse é o slogan se não irônico quase irônico, em que o Palácio do Planalto escolheu para sintetizar os dois anos do (des)governo ilegítimo de Michel Temer.
Vírgula no lugar errado muda o sentido da frase.
Vai que tenha uma questão dessa no ENEM, tema da redação.
Fala pro trabalhor que quem é desempregado não sabe procurar emprego. Qual será o país que ele vive? Talvez ainda no Brasil de 20 anos atrás, se referencia ao Kubitschek pela política de desenvolvimento, mas não enxerga a própria mazela da impopularidade de agora. Vai ver é porque sua impopularidade nem seja tão importante assim, o que importa nós não é? Soltou o FGTS dá pra fazer um carnê nas casas Bahia. E se alguém resolver procurar emprego tem coach pra te ensinar a fazer currículo pras vagas arrombadas, faz um perfil no linkedIn trabalhor brasileiro.
Aí, a gente vê as propostas de futuros governos. Tem que levar desenvolvimento pra amazônia alguém diz, Manuela Manuelinha, admiro tanto sua representatividade política como mulher, mas sério que você vai usar o discurso do “mas”? Era ditadura mas expandiu o Brasil, era essa ditadura que via as restrições ambientais como interferência no plano nacional de desenvolvimento, desenvolva-se primeiro, e pagamos os custos da poluição mais tarde. Faz isso não, toca na ferida do pai Lula e mãe Dilma, governos que também aceleraram esse processo e calentamos com a imagem de barragens como a de Fundão, cai no esquecimento e na invisibilidade os problemas de Belo Monte, façam-se um discurso bem lindo sobre sustentabilidade, essa palavra chique mas demodê.
Discutir desenvolvimento sem falar em reforma agrária, em descentralização de monopólios e assistência para expansão de cooperativas, micro empresas e produção local seja algo para um futuro, de 20 anos pra frente, uns 20 anos convertidos em 50 uma longa estrada de mundos reais distintos e distante, de representações de massa apagadas e caladas.

O soberano desenvolvimento sustentável da Amazônia

O legítimo sentido de comunitário já deturpado faz tempo entre uma nação partida e o mundo do capital, do investimento e da compra e venda, não é mais por uma natureza, mas sim fruto de um recurso. É recurso que se fala, esse mesmo, o rico, o luxo, o que se associa com o econômico e o crescimento. É emprego o sinônimo de sustentável quando se tem o que precisa e quando pode ter o que se quer. É poder, o dono daquilo que se acha dono de algo formado a bilhões de anos atrás, é pretensão demais.

                Há uma insistência desumana de se dizer pelo bem de alguma coisa e assim fica plausível, em detrimento de outros, outros muitos e muitos, a operação da palavra comercial que contém desigualdades radicais de interesses.

                É novo, não tão novo assim, apenas modificado pela atuação tecnológica de se poder ver com os próprios olhos desmoronar pequenas conquistas que nem se quer chegaram a ser ouvidas, abafadas logo de cara por quem não quer ver cor nem cheiro, o que vale mesmo é o dinheiro. É o neo, essa nossa forma de olhar para o futuro que contamina gerações, que consome amianto, que arrebenta barragens, que dissemina espécies e comunidades indígenas, que termina de vez com o nosso entendimento de justo por natureza.  E não vai ser por um fora Temer, esse novo plante uma árvore, que saberemos compreender a complexidade de como chegamos até aqui, desde a mudança do código florestal até a PEC 215, o projeto de Lei (PL 1610/96) que flexibiliza a exploração mineral em reservas indígenas e a e a proposta do licenciamento “flex”.

                Alcançar o objetivo de justiça será enfrentar o amargo número de mortes de ambientalistas que exibe recorde em território brasileiro, é enfrentar a falta de cumplicidade quanto à cultura indígena, ouvindo duramente e com razão que para o branco entender o que é ser índio nesse país é necessário nascer de novo, é saber a responsabilidade de uma bancada ruralista e de grande empresários que ditam as regras do jogo, é compreender o racismo ambiental das segregações sociais, a perda da dignidade humana existentes nos impactos de grandes empreendimentos econômicos, pois tudo é pelo bem, pelo bem de alguns.

Sem nome, entre tantos outros vamos também sem rosto, sem voz e apáticos esperando que talvez ano que vem tudo melhore, sem conhecer os poucos alguns, esses que saem muito mais fortes por traz de suas glórias imperialistas, pois são ecos e prezam pelo bem, não jogam lixo no chão e escondem sua podridão, um eco em todo o sentido da palavra.

Para saber mais:

MPF/AP quer suspensão dos efeitos do decreto de extinção da Renca

Temer reage a críticas com novo decreto que mantém mineração em zona da Amazônia

O bem e o mal no dia mundial do meio ambiente

Se a gente for fazer uma retrospectiva pequena de 01 ano e 07 meses atrás lembraremos que aconteceu o maior desastre socioambiental do país.
Não foi só um rompimento de barragem, são impactos para além de 10 anos. É o impacto que afeta a baixa renda, que dissemina a desigualdade e aumenta as estatísticas de doença. É meio ambiente. É desequilíbrio.
Cabe mudar a legislação, melhorar a fiscalização, contratar mão de obra qualificada. Foi o que a comissão dos deputados que acompanhou o caso concluiu à um ano atrás, tendo plena certeza que o erro foi da empresa. Por dinheiro. Sabendo também que grande parte das campanhas eleitorais dessas mesmas pessoas escolhidas para mudar as leis, ouvir a população e acompanhar o caso, foram bancadas por essas empresas envolvidas nos impactos ambientais nada naturais.

As propostas foram dadas, mas nada mudou perante a legislação ambiental vigente. Ao que tudo indica, as pautas ambientais no congresso prevê mudanças no licenciamento ambiental de forma que facilite as liberações que interessam apenas aos grandes empresários, monopólios, donos de terra à perder de vista, coisa que seus olhos nem conseguem acompanhar, tudo de uma pessoa só. Uma só pessoa rica, aquilo que a classe média pensa que é, mas não é.

Final de maio uma votação que durou poucos minutos no Senado, até porque não havia o que pensar nem pra quem pensar, aprovou a abertura de mais de 600 mil hectares em áreas protegidas no Pará, reserva legal da floresta amazônica, essa área equivale a quase quatro vezes a cidade de São Paulo. Pra quem não sabe lá tem muito minério. Fica aí a disposição de grileiros e para se desmatar ilegalmente, e deixar quem é rico muito mais rico. Não esqueçam que foi exatamente lá que aconteceu uma chacina de trabalhadores rurais alvos de conflitos de terra. As fotos rodaram a internet, parecia coisa de 1970, mas foi 2017. E o Brasil dispara no conflito agrário e disputa de terras, sem contar os alvos indígenas.

Pois bem. Segue o fluxo do mundo. No mesmo ano que aconteceu o maior desastre socioambiental da história do país. Ocorreu o Acordo de Paris, os países se comprometeram a várias metas para diminuir as emissões de gases do efeito estufa e pensar no desenvolvimento sustentável. Muito bonito tudo. Acho engraçado quando se fala em cúpula, reuniram em cúpulas. Parecem Deuses decidindo o discurso esperançoso pro mundo. Igual foi na abertura das olimpíadas, o legado olímpico que a gente acompanha ao vivo todo dia, florescendo as florestas da desigualdade em cada esquina.

Globalmente falando, Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris sobre o clima. Acontece que a história virou para um personagem só, como se o mundo fosse acabar por conta do Trump que não iria cumprir meta nem acordo nenhum de qualquer maneira. E ele segue com seu discurso implacável de ódio que o fez chegar aonde ele chegou.
Se ele fingisse cumprir acordos e metas, ou quem sabe decidir pra qual ser humano do bem iria fazer sua gestão, seria algo parecido com um discurso que estamos vendo por aqui, daquele que recebe flores e joga no chão.

O lado bom e o lado ruim. Vamos fingindo então.
O dia é o dia mundial do meio ambiente. Bonito de se lembrar, bonito de se ver. Faça-se refletir que o que comanda ainda é a riqueza, não é nada sustentável, ainda menos saudável, um mundo repartido por quem é rico e quem é pobre, quem pode e quem não deve quem crê e quem não crê, cor da pele e por quem se deve amar. Terrorismo. Os olhos não vêem, mas estamos em guerra diariamente. Se cabe a mim a fazer a minha parte, prefiro pensar no façamos então. Não só fechar a torneira enquanto se escova o dente. Enquanto pensarmos que a mudança cabe apenas a uma estrutura individual nunca iremos entender o significado de empatia, mais do que sensibilização. É sair do minúsculo cubículo do próprio umbigo e adquirir por parte da sua ação, da sua crítica, o entendimento do seu papel em sociedade, desde a sua profissão até o seus estudos. É pra quem que eu faço? E por quem eu faço?

É claro. Pensando nisso tudo, eu sei que não dá pra mudar o mundo. Não dá. É utópico. Todo dia uma informação diferente, um escândalo jogado na cara da gente. Um plantão da globo e a incerteza do que será, o que será. É fora temer é diretas já, é problematização e textão que nem esse, é pressão pra ser bem sucedido nessa sociedade doente.

Compreender ainda é difícil, assimilar então mais confuso ainda.Complexo, como todas as interações desse planeta.
Apenas estamos aqui por pouco tempo.
E isso se chama vida que interage com todo o resto.
Que muitos resumem apenas a dinheiro.
Taí a contradição nesse mais um dia mundial pra se lembrar da natureza e da humanidade.

O olhar de uma mera espectadora

Durante a semana entre os dias 20 a 28 de janeiro aconteceu na pequena cidade histórica de Tiradentes-MG a 20° edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. Essa cidade possui um encanto memorável algo de encontro a vista da Serra de São José até suas pequenas vielas, casinhas e pessoas. Como uma boa turista já estive em outras edições do evento, mas pela primeira vez pude participar com mais afinco de tudo que ali envolvia, isso parte do momento profissional de cada um. Uns gostam do passeio, outros da cerveja, aqueles da igreja, uns do artesanato e claro os profundos cinéfilos. Eu estou no grupo dos curiosos, procurando aprimoramento e com certeza mais conhecimento.

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(Oficina Noções Básica de Montagem e Edição – 20° Mostra de Cinema de Tiradentes/MG) Foto: Leo Lara/Universo Produção

Do final de semana que pude participar de tudo, desde a oficina de montagem e edição básica por ótimos profissionais da área até o último longa metragem exibido do dia, senti aquele momento de empoderamento feminino por toda parte, voz política e uma perspectiva de que por todo canto desse país existem o eco da nossas perspectivas, existe o eco de cada trabalho exibido ali demonstrando a percepção do gesto, da dedicação, da indignação e do ensinamento. Tocou, e o cinema tem essa arte, o cinema tem essa mágica que atraem os olhos e vai direto nas nossas feridas e emociona o coração.

                Por fim, eu pude ver uma praça lotada de pessoas, algumas ali sentadas aguardando o que estava por vir, outras que por ali passavam e quando o filme começou um silêncio imediato, ao ar livre a cidade se inquietava para a mensagem que ali passava. Era Xingu, era Tapajós era a Amazônia que chegava nos olhares de quem nem imaginava saber sobre impacto ambiental, sobre mega empreendimentos a política e o poder por traz das questões ambientais. O filme de Eliza Capai – O Jabuti e a Anta exibido no dia 27 de janeiro, despertou uma platéia ciente de que há muito mais coisas por trás do “faça a sua parte”, há interligação de valores e das consequências do desmatamento, da ganância e da falta de formação das nossas políticas públicas. Sentimos o impacto do consumo e descobrimos que a essência que desmonta os grandes monstros acostumados a nos definhar quando achamos que não há mais nada a fazer é a união dos nossos valores, a sabedoria e o pensamento de apenas um nós, a manifestação é o se importar e assim saberemos cuidar deixando de lado a doença do egoísmo humano e a nefasta necessidade de apenas ter.

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(Exibição do Filme O Jabuti e a Anta na 20° edição da Mostra de Cinema de Tiradentes-MG) Foto: O jabuti e Anta – Facebook

Dica: Conheçam mais o trabalho da Eliza Capai que é tudo maravilhoso demais:

Série Linhas – Greenpeace

No devagar depressa dos tempos 

Página oficial 

A guerra contra um mosquito – O que mais dá medo em uma sociedade do que uma doença?

             A doença assombra, passa a falsa sensação de que, mais do que a violência é a algo que foge do controle humano, dizem. E a violência não seria nada mais do que a escolha que o ser humano faz, ou ele é bom ou ele é ruim, dizem.  E a sociedade previne, tem que prevenir não deixar água acumulada, tomar vacina, usar repelente, compre repelente o eficiente, aquele que te previne de qualquer espécie relacionada ou parecida com um pernilongo, esse mosquitinho minúsculo que zomba nos ouvidos humanos nas mais remotas noites quentes do verão. Previne o mosquito, use aquele inseticida dos bons que borrifa veneno de 15 em 15 minutos enquanto você respira o ar recalcado da cidade cheia de mosquitos, inconvenientes, quem sabe o posto de saúde mais próximo não distribui repelentes eficientes.

                É caro no mercado, é caro e vale mais do que dois sacos de arroz, pra quem não recebeu seu salário seria necessário priorizar, ou eu vivo com medo de uma doença, ou eu encaro essa violência, ou eu almoço hoje. E faz calor e como faz calor. Faz tanto, tanto calor que aumentaram as incidências do mosquito tropical, disseminaram mais doenças, só não distribuíram minha renda, então eu perdi a cabeça e no meio dessa imensa violência poderia assim causar o fechamento da ponte Rio-Niterói e um tumulto no fluxo de quem vai e nem para e nem presta atenção na situação de medo, caos e violência. Cada um por si, cada um com seu, garantia de serviços prestados é seguir o fluxo sem reflexos de um para o outro, sem nossos reflexos nos espelhos.

                Surtou o homem, dizem. Um surto. Surtou o mosquito, ele declarou guerra e não é a primeira vez que esses terroristas disfarçados de patinhas preto e branco invadem nossas casas, só não gravaram um vídeo e ninguém sabe qual é sua tática. Ano passado mesmo foi operação Zica, combina com o ao contrário de sorte, tinha um nome mais difícil que esse, que a dona Maria do bairro que nunca recebeu se quer uma água encanada nem conseguia dizer pra o senhor doutor do postinho que há meses ela esperava uma consulta prévia. Era Chico alguma coisa que eu tinha, disse ela. Que mosquito mais maligno, todos contra ele.

                E agora é febre, febre de verão, febre que mata mais. Febre do interior, febre da mata fechada. Essa natureza hein, eu não vou pro mato não, nem passo perto de árvore, seu habitat natural. Doença tropical. Mas tenho aqui nessa cidade pobre sem saneamento básico, pobre sem salário, pobre violento, pobre no pé do morro, pobre que morre de desespero, pobre em lixo acumulado, pobre pescando em rio sujo. É uma doença, ninguém escapa dessa doença que degenerativa. Mas a gente declara guerra, a esse mosquito.

campanha

( Prefeitura arrisca alusão a Star Wars mas coloca aedes aegypti do lado bom )

Ambiente Perceptivo – Documentário Completo

Agora saiu!

Imagina dividir as turmas em sala de aula entre várias temáticas ambientais e pedir para que cada grupo relate sua experiência, o seu contato e o seu olhar. Isso tudo se encaixou e o nosso ambiente se uniu de uma maneira  que nos fez perceber que não há como separá-lo, as nossas complexas relações com o meio levantam as discussões sobre a sustentabilidade, as políticas públicas e a natureza. Esse trabalho tomou corpo, e virou o nosso primeiro curta documentário!

Com carinho, para todos os meus alunos do curso técnico em administração da E.E Prof. João Anastácio – Polivalente.

Barbacena/MG