O bem e o mal no dia mundial do meio ambiente

Se a gente for fazer uma retrospectiva pequena de 01 ano e 07 meses atrás lembraremos que aconteceu o maior desastre socioambiental do país.
Não foi só um rompimento de barragem, são impactos para além de 10 anos. É o impacto que afeta a baixa renda, que dissemina a desigualdade e aumenta as estatísticas de doença. É meio ambiente. É desequilíbrio.
Cabe mudar a legislação, melhorar a fiscalização, contratar mão de obra qualificada. Foi o que a comissão dos deputados que acompanhou o caso concluiu à um ano atrás, tendo plena certeza que o erro foi da empresa. Por dinheiro. Sabendo também que grande parte das campanhas eleitorais dessas mesmas pessoas escolhidas para mudar as leis, ouvir a população e acompanhar o caso, foram bancadas por essas empresas envolvidas nos impactos ambientais nada naturais.

As propostas foram dadas, mas nada mudou perante a legislação ambiental vigente. Ao que tudo indica, as pautas ambientais no congresso prevê mudanças no licenciamento ambiental de forma que facilite as liberações que interessam apenas aos grandes empresários, monopólios, donos de terra à perder de vista, coisa que seus olhos nem conseguem acompanhar, tudo de uma pessoa só. Uma só pessoa rica, aquilo que a classe média pensa que é, mas não é.

Final de maio uma votação que durou poucos minutos no Senado, até porque não havia o que pensar nem pra quem pensar, aprovou a abertura de mais de 600 mil hectares em áreas protegidas no Pará, reserva legal da floresta amazônica, essa área equivale a quase quatro vezes a cidade de São Paulo. Pra quem não sabe lá tem muito minério. Fica aí a disposição de grileiros e para se desmatar ilegalmente, e deixar quem é rico muito mais rico. Não esqueçam que foi exatamente lá que aconteceu uma chacina de trabalhadores rurais alvos de conflitos de terra. As fotos rodaram a internet, parecia coisa de 1970, mas foi 2017. E o Brasil dispara no conflito agrário e disputa de terras, sem contar os alvos indígenas.

Pois bem. Segue o fluxo do mundo. No mesmo ano que aconteceu o maior desastre socioambiental da história do país. Ocorreu o Acordo de Paris, os países se comprometeram a várias metas para diminuir as emissões de gases do efeito estufa e pensar no desenvolvimento sustentável. Muito bonito tudo. Acho engraçado quando se fala em cúpula, reuniram em cúpulas. Parecem Deuses decidindo o discurso esperançoso pro mundo. Igual foi na abertura das olimpíadas, o legado olímpico que a gente acompanha ao vivo todo dia, florescendo as florestas da desigualdade em cada esquina.

Globalmente falando, Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris sobre o clima. Acontece que a história virou para um personagem só, como se o mundo fosse acabar por conta do Trump que não iria cumprir meta nem acordo nenhum de qualquer maneira. E ele segue com seu discurso implacável de ódio que o fez chegar aonde ele chegou.
Se ele fingisse cumprir acordos e metas, ou quem sabe decidir pra qual ser humano do bem iria fazer sua gestão, seria algo parecido com um discurso que estamos vendo por aqui, daquele que recebe flores e joga no chão.

O lado bom e o lado ruim. Vamos fingindo então.
O dia é o dia mundial do meio ambiente. Bonito de se lembrar, bonito de se ver. Faça-se refletir que o que comanda ainda é a riqueza, não é nada sustentável, ainda menos saudável, um mundo repartido por quem é rico e quem é pobre, quem pode e quem não deve quem crê e quem não crê, cor da pele e por quem se deve amar. Terrorismo. Os olhos não vêem, mas estamos em guerra diariamente. Se cabe a mim a fazer a minha parte, prefiro pensar no façamos então. Não só fechar a torneira enquanto se escova o dente. Enquanto pensarmos que a mudança cabe apenas a uma estrutura individual nunca iremos entender o significado de empatia, mais do que sensibilização. É sair do minúsculo cubículo do próprio umbigo e adquirir por parte da sua ação, da sua crítica, o entendimento do seu papel em sociedade, desde a sua profissão até o seus estudos. É pra quem que eu faço? E por quem eu faço?

É claro. Pensando nisso tudo, eu sei que não dá pra mudar o mundo. Não dá. É utópico. Todo dia uma informação diferente, um escândalo jogado na cara da gente. Um plantão da globo e a incerteza do que será, o que será. É fora temer é diretas já, é problematização e textão que nem esse, é pressão pra ser bem sucedido nessa sociedade doente.

Compreender ainda é difícil, assimilar então mais confuso ainda.Complexo, como todas as interações desse planeta.
Apenas estamos aqui por pouco tempo.
E isso se chama vida que interage com todo o resto.
Que muitos resumem apenas a dinheiro.
Taí a contradição nesse mais um dia mundial pra se lembrar da natureza e da humanidade.

O olhar de uma mera espectadora

Durante a semana entre os dias 20 a 28 de janeiro aconteceu na pequena cidade histórica de Tiradentes-MG a 20° edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. Essa cidade possui um encanto memorável algo de encontro a vista da Serra de São José até suas pequenas vielas, casinhas e pessoas. Como uma boa turista já estive em outras edições do evento, mas pela primeira vez pude participar com mais afinco de tudo que ali envolvia, isso parte do momento profissional de cada um. Uns gostam do passeio, outros da cerveja, aqueles da igreja, uns do artesanato e claro os profundos cinéfilos. Eu estou no grupo dos curiosos, procurando aprimoramento e com certeza mais conhecimento.

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(Oficina Noções Básica de Montagem e Edição – 20° Mostra de Cinema de Tiradentes/MG) Foto: Leo Lara/Universo Produção

Do final de semana que pude participar de tudo, desde a oficina de montagem e edição básica por ótimos profissionais da área até o último longa metragem exibido do dia, senti aquele momento de empoderamento feminino por toda parte, voz política e uma perspectiva de que por todo canto desse país existem o eco da nossas perspectivas, existe o eco de cada trabalho exibido ali demonstrando a percepção do gesto, da dedicação, da indignação e do ensinamento. Tocou, e o cinema tem essa arte, o cinema tem essa mágica que atraem os olhos e vai direto nas nossas feridas e emociona o coração.

                Por fim, eu pude ver uma praça lotada de pessoas, algumas ali sentadas aguardando o que estava por vir, outras que por ali passavam e quando o filme começou um silêncio imediato, ao ar livre a cidade se inquietava para a mensagem que ali passava. Era Xingu, era Tapajós era a Amazônia que chegava nos olhares de quem nem imaginava saber sobre impacto ambiental, sobre mega empreendimentos a política e o poder por traz das questões ambientais. O filme de Eliza Capai – O Jabuti e a Anta exibido no dia 27 de janeiro, despertou uma platéia ciente de que há muito mais coisas por trás do “faça a sua parte”, há interligação de valores e das consequências do desmatamento, da ganância e da falta de formação das nossas políticas públicas. Sentimos o impacto do consumo e descobrimos que a essência que desmonta os grandes monstros acostumados a nos definhar quando achamos que não há mais nada a fazer é a união dos nossos valores, a sabedoria e o pensamento de apenas um nós, a manifestação é o se importar e assim saberemos cuidar deixando de lado a doença do egoísmo humano e a nefasta necessidade de apenas ter.

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(Exibição do Filme O Jabuti e a Anta na 20° edição da Mostra de Cinema de Tiradentes-MG) Foto: O jabuti e Anta – Facebook

Dica: Conheçam mais o trabalho da Eliza Capai que é tudo maravilhoso demais:

Série Linhas – Greenpeace

No devagar depressa dos tempos 

Página oficial 

A guerra contra um mosquito – O que mais dá medo em uma sociedade do que uma doença?

             A doença assombra, passa a falsa sensação de que, mais do que a violência é a algo que foge do controle humano, dizem. E a violência não seria nada mais do que a escolha que o ser humano faz, ou ele é bom ou ele é ruim, dizem.  E a sociedade previne, tem que prevenir não deixar água acumulada, tomar vacina, usar repelente, compre repelente o eficiente, aquele que te previne de qualquer espécie relacionada ou parecida com um pernilongo, esse mosquitinho minúsculo que zomba nos ouvidos humanos nas mais remotas noites quentes do verão. Previne o mosquito, use aquele inseticida dos bons que borrifa veneno de 15 em 15 minutos enquanto você respira o ar recalcado da cidade cheia de mosquitos, inconvenientes, quem sabe o posto de saúde mais próximo não distribui repelentes eficientes.

                É caro no mercado, é caro e vale mais do que dois sacos de arroz, pra quem não recebeu seu salário seria necessário priorizar, ou eu vivo com medo de uma doença, ou eu encaro essa violência, ou eu almoço hoje. E faz calor e como faz calor. Faz tanto, tanto calor que aumentaram as incidências do mosquito tropical, disseminaram mais doenças, só não distribuíram minha renda, então eu perdi a cabeça e no meio dessa imensa violência poderia assim causar o fechamento da ponte Rio-Niterói e um tumulto no fluxo de quem vai e nem para e nem presta atenção na situação de medo, caos e violência. Cada um por si, cada um com seu, garantia de serviços prestados é seguir o fluxo sem reflexos de um para o outro, sem nossos reflexos nos espelhos.

                Surtou o homem, dizem. Um surto. Surtou o mosquito, ele declarou guerra e não é a primeira vez que esses terroristas disfarçados de patinhas preto e branco invadem nossas casas, só não gravaram um vídeo e ninguém sabe qual é sua tática. Ano passado mesmo foi operação Zica, combina com o ao contrário de sorte, tinha um nome mais difícil que esse, que a dona Maria do bairro que nunca recebeu se quer uma água encanada nem conseguia dizer pra o senhor doutor do postinho que há meses ela esperava uma consulta prévia. Era Chico alguma coisa que eu tinha, disse ela. Que mosquito mais maligno, todos contra ele.

                E agora é febre, febre de verão, febre que mata mais. Febre do interior, febre da mata fechada. Essa natureza hein, eu não vou pro mato não, nem passo perto de árvore, seu habitat natural. Doença tropical. Mas tenho aqui nessa cidade pobre sem saneamento básico, pobre sem salário, pobre violento, pobre no pé do morro, pobre que morre de desespero, pobre em lixo acumulado, pobre pescando em rio sujo. É uma doença, ninguém escapa dessa doença que degenerativa. Mas a gente declara guerra, a esse mosquito.

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( Prefeitura arrisca alusão a Star Wars mas coloca aedes aegypti do lado bom )

Ambiente Perceptivo – Documentário Completo

Agora saiu!

Imagina dividir as turmas em sala de aula entre várias temáticas ambientais e pedir para que cada grupo relate sua experiência, o seu contato e o seu olhar. Isso tudo se encaixou e o nosso ambiente se uniu de uma maneira  que nos fez perceber que não há como separá-lo, as nossas complexas relações com o meio levantam as discussões sobre a sustentabilidade, as políticas públicas e a natureza. Esse trabalho tomou corpo, e virou o nosso primeiro curta documentário!

Com carinho, para todos os meus alunos do curso técnico em administração da E.E Prof. João Anastácio – Polivalente.

Barbacena/MG

Documentário – Ambiente Perceptivo

É… Fiquei um bom tempo sem escrever por aqui. Semanalmente daria para tirar muitas analogias e textos e percepções sobre o meio ambiente, dentro de todo o caos e fora da mais remota ordem, em tempos como esse em que tentamos estabelecer algum grau de solidez ou a própria sensatez, sem saber de verdade o que há de bom ou de ruim, o jogo entre o certo e o errado, as esperanças e o medo, esse é um novo dia de um novo tempo que começou, sem que a festa seja nossa.

No universo micro seguindo a teoria do caos, vamos transformando as asas de uma borboleta em um tufão. E hoje apresento o primeiro trabalho audiovisual desenvolvido com meus alunos de uma rede pública, essa mesma rede onde os gastos públicos podem ser congelados por vinte anos, onde esses mesmos alunos podem sofrer uma grande reforma educacional que nada os privilegiam. Mas a gente resiste. A gente resiste nos dois dias por semana em nossos encontros, a gente resiste por cinquenta minutos e encontramos o que sim, podemos transformar,pois se não for para pensar em nosso meio, como vamos tomar proporção do nosso todo? Como discutir sustentabilidade sem prestar atenção pelas ruas em que caminhamos, pelos nossos acessos e ações? Como nos tornar bons profissionais em um ambiente altamente competitivo e individualista? O que se deve presar nas nossas relações antes de nos confundirmos pela dinâmica desse mundo interligado em seus amplos sentidos?

Afinal, “aquilo que é feito para você, sem você, nunca vai dar certo…”

 

O lançamento do nosso documentário sai no final de novembro!

As tecnologias seus desafios e o meio ambiente

A Internet é um mecanismo que propicia a rápida propagação de acontecimentos e fatos ampliando o espaço de ação dos movimentos sociais que passam a difundir informações e a vincular denúncias com o intuito de mobilizar uma quantidade razoável de pessoas em torno de uma causa específica ou de um tema. O ambiente virtual, visto como um canal de comunicação acaba desempenhando o papel de unir as pessoas em torno de um ideal, mobilizando internautas e criando espaço para discussões e protestos dentro e fora da rede. Segundo pesquisa realizada no ano de 2015 pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação da Comunicação (Cetic.br) o acesso à internet chegou á 50% das casas no Brasil. Apesar do aumento gradual do acesso à internet é importante ressaltar que ainda subsistem muitos excluídos digitalmente, que na maioria dos casos são oriundos de classes baixas e possuem pouca escolaridade.

O movimento ambientalista utiliza noticiários de televisão, rádios e jornais para manifestarem-se sobre assuntos que relacionam a preservação da natureza. Tal movimento social é constituído por organizações não governamentais e voluntários interessados em promover e incentivar a proteção do meio ambiente. Desta forma a internet passou a contribuir para a propagação da causa ambiental, em que grupos locais em qualquer parte do mundo, passam a ter condições de agir de forma global, exatamente no mesmo nível em que surgem os principais problemas relativos ao meio ambiente. Um dos exemplos para o ativismo online foram as manifestações nas redes sociais com o objetivo de vetar o novo Código Florestal aprovado em 2012, e que no dia 18 de abril de 2016, foi discutido em audiência pública no Supremo Tribunal Federal com apoio do segmento científico e acadêmico, onde se questionam pontos da lei referente a proteção da reserva legal, área de preservação permanente e a regulação do cadastro ambiental rural. Através da internet também é possível a propagação de denúncias relacionadas a crimes ambientais assim como a aproximação da sociedade em questões que se relacionam a comunidades tradicionais com os impactos de grandes empreendimentos e proporções de acidentes ambientais.

O mecanismo do engajamento ambiental por meio virtual acaba promovendo, em um primeiro momento, um local de encontro entre as conexões dos internautas e a difusão de informações, as redes proporcionam mais voz às pessoas na construção de valores diferentes. Mesmo que tais manifestações não alcancem o completo sucesso esperado, esta postura acaba enfraquecendo os defensores das teorias de que o uso das novas tecnologias da informação não mudaria a participação político-democrática que as redes virtuais possuem, lembrando que grande parte do processo de mobilização, antes passava pelas mídias tradicionais pertencentes ao domínio de poucos. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) recentemente sinalizou o fim da era da internet ilimitada no Brasil onde deveria ser cobrado o consumo excedente do pacote de franquia pago pelo cliente, o que gerou grande mobilização social e assim a Anatel lançou nota dizendo que o processo segue sem prazo determinado, e as prestadoras de serviços de internet continuam proibidas de reduzir a velocidade, suspender o serviço ou cobrar pelo tráfego excedentes dos consumidores. Se é por meio da notícia que nos mobilizamos, se é por meio do domínio de poucos que enxergamos uma única verdade e se a internet nos proporciona a abertura de se discutir toda uma realidade, o que de fato ficaria caro ao se limitar o nosso acesso tecnológico? Conhecimento às vezes incomoda mesmo.

Licenciamento ambiental pode deixar de existir -Estadão

Acompanhe a notícia aqui: Licenciamento ambiental pode deixar de existir

“Em meio ao terremoto político que toma conta de Brasília, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, 27, sem alarde, uma Proposta de Emenda à Constituição que simplesmente rasga a legislação ambiental aplicada em processos de licenciamento de obras públicas.”

Mas não fiquem tristes! A Vale,por exemplo, de acordo com O Globo, obteve lucro líquido de R$6,3Bi no 1° trimestre e supera as expectativas, o Sr.Presidente da empresa está seguro, vem tomando o caminho certo. Sim, com custo de produção baixos e expansão de extração. Uma pena que o acordo resultante do maior crime ambiental do país não irá trazer de volta as vidas perdidas, muito menos a biodiversidade e quem dirá um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Mas os países se unem não é mesmo? Precisam diminuir as emissões dos poluentes por causa das mudanças climáticas e aquecimento global além de comemorar o dia mundial do meio ambiente logo mais.

sebastião salgado

Foto: Sebastião Salgado – Serra Pelada